Epifanias Urbanas  escrito em terça 17 junho 2008 19:56

No sentido literário, a "epifania" é um momento privilegiado de revelação, quando acontece um evento ou incidente que "ilumina" nossas vidas. Minha última epifania foi assistindo  o filme Tentação (We Don`t Live Here Anymore) direção de John Curran. O filme é  uma história desconcertante e tórrida sobre traições, Tentação radiografa as paixões e frustrações de dois casais muito amigos entre si, mas não o suficiente para respeitar a cama alheia.

Ou melhor dizendo a única lei que obedecemos é a Lei do Desejo.

Jack é casado com Terry e amante de Edith, casada com Hank, que corteja Terry. A angustiada e envolvente teia de traição do quarteto explode sem deixar intactos nem seus filhos. Premiado no Festival de Sundance, esse drama incomoda pela sinceridade, é estrelado pelos premiados atores Laura Dern, Peter Krause, Mark Ruffalo e Naomi Watts.

No meio do filme me veio a frase:

"È díficil admitir, mas amamos no outro, somente o que é possivel"

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Björk: Delírio e Auto-Conhecer  (Inspiradores) escrito em domingo 15 junho 2008 01:50

Vida e Obra

Primeiros Sucessos (1977 – 1986)

Aos 12 anos de idade, Björk grava seu primeiro disco, com a ajuda de seu padrasto. Seu primeiro álbum solo, intitulado com o nome da cantora, Björk, é lançado em 1977. O álbum foi lançado apenas na sua terra natal, Islândia, e seu sucesso lhe rendeu um disco de platina.

Bandas

Enquanto Björk crescia, seu contato com o mundo punk aumentava, e logo Björk forma uma banda feminina chamada Spit and Snot (trad.: "cuspo e ranho"). Engajada na percussão da banda, toma liderança do grupo. Após um tempo, Björk vê que seus instintos de punk já não lhe favorecem muito ao passar do tempo e entra numa banda pós-punk chamada Exodus. Exodus nada mais durou que uma única aparição na TV conseqüentemente chegando ao final da banda. Mesmo assim a satisfação de Björk não seria pouco e Jam-80 seria seu próximo grupo na sua fase experimental. E como fruto desta experimentação simplesmente só lhe renderia uma única turnê, fazendo-lhe adquirir mais experiência e amadurecimento musical.

Tappi Tíkarrass é a próxima banda que Björk começa a atuar e lhe proporcionaria dois discos gravados, foi à época onde a cantora começou a ter um pouco mais de espaço nos meios de comunicação. Após sua estada com Tappi Tíkarrass, praticamente ao meio da década de 80, uma série de oportunidades para Björk estariam por acontecer.

Em 85, com o descobrimento da gravidez de seu primeiro filho, ela não abandona seus três anos de estrada com a banda KUKL, que também consequentemente gravaria dois álbuns. Logo após a decisão de todos integrantes, com o termino da banda, a cantora faz um breve participação com o grupo The Elgar Sisters, onde lhe rendeu duas gravações que futuramente lhe seriam de grande uso.

The Sugarcubes (1986 – 1992)

Após o nascimento de seu primeiro filho, em 1986, Björk começa sua trilha experimental com a banda The Sugarcubes, o estilo e irreverência da banda conquistariam o selo independente inglês One Little Indian. O primeiro single da banda "Ammæli" ou (Birthday, em inglês) foi lançado em 1987. O single foi reconhecido mundialmente, chamando a atenção da crítica da cena do rock como a cena da música Alternativa. Brevemente o The Sugarcubes lançariam singles de próximo álbum chamado Life’s Too Good, de 88. Com tanta criatividade e qualidade a banda se deu à oportunidade e criou um selo e editora, um dos mais importantes hoje na Islândia, chamado Smekkleysa, inicialmente chamado, e que teria o intuito de gravar outras bandas e publicar poesias e livros, tanto da Islândia com de fora.

O segundo CD da banda, Here, Today, Tomorrow, Next Week!, lançado em 89 não repercutiu tanto como o anterior, causando pouco a pouco a separação da banda. O foco continuaria em Björk, que em 1990 contribuíria com a gravação de Gling-Gló, com o trio mais tradicional de jazz da Islândia, o Trio Guðmundar Ingólfssonar. E não pararia por ai, a cantora continuou e em 91 com o álbum Ex:el, fazendo lhe render duas participações no disco do projeto inglês de Graham Massey, o 808 State, além de algumas apresentações.

E 92 estaria decretado de vez o fim do The Sugarcubes e Björk continuaria sua participação com o 808 State e consequentemente grava “Oops” junto a Nellee Hooper, um dos produtores musicais mais aclamados e requisitados na época. Björk muda-se para Londres e inicia a sua carreira solo. A partir de então, torna-se uma das grandes estrelas da música alternativa. Ganha assim o reconhecimento unânime da crítica. Com tantas influências e experiências, Björk estaria mais que preparada a qualquer obstáculo que pudesse lhe aparecer e seu início de experimentalismo estaria por começar uma longa jornada.

Inicio / Debut (1993 – presente)

Lançado em Junho de 1993, num estilo pop quase igual ao que a banda The Sugarcubes produzia a mistura do jazz, funk, acid dance, offbeat, que foi produzido por Nellee Hooper e Björk, Debut se destaca como um dos principais álbuns de trip-hop que iniciaram o movimento. Singles como "Human Behaviour"  alcançaram o terceiro lugar nos top 10 britânicos, seguindo também na mesma linhagem Big Time Sensuality e outros do álbum. Debut unanimemente foi um sucesso no circuito alternativo, e como sucesso seria tanto lhe renderia colaborações como "Play Dead, que foi especialmente feita para a trilha sonora do filme Rebeldes Americanos (The Young Americans), do mesmo ano, e consequentemente seria incluído nas reedições de Debut, na Europa e Japão. Björk também escreveu "Bedtime Story", faixa do sexto álbum da cantora Madonna, Bedtime Stories.

Em Setembro de 1994 Björk lançou The Best Mixes from the Debut (For All the People Who Don't Bu White Labels), uma compilação de remixes que apoiava o uso das White-labels (Gravadoras Independentes, do inglês etiqueta-branca ou selo-branco).

Post / Telegram

Durante 1994, Björk entra em estúdio novamente com Nellee Hooper, e mais alguns produtores como Tricky, Howie B, Graham Massey e Marius de Vries, para a produção de seu segundo álbum solo. Post marca a história da carreira da cantora como um dos seus melhores álbuns deixando a consagrada na pelo mundo e principalmente na Europa. Os elementos de experimentalismo do álbum acabam tornando-o um álbum de vanguarda e categoria na época, onde principalmente o primeiro single do álbum, "Army of Me", acabaria de se tornar um dos melhores hits da cantora. O álbum se decorre em elementos imaginários e inomináveis como em "Hyper-Ballad", até o clássico inesquecível "It's Oh So Quiet", que foi inspirado na Broadway. A mistura de jazz, música eletrônica, e ainda caminhando pelo rumo do trip-hop, Björk tornou se a sensação do momento. "Army of Me" entrou no top 10 britânico, "Isobel" segundo single do álbum e segunda parte da trilogia começada por "Human Behaviour", de Debut, e "I Miss You" dão um tom especial a este álbum. Post vendeu mais de 3 milhões de cópias.

No Brasil

Björk fez parte da turnê do TIM Festival 2007, passou por 3 cidades brasileiras: Rio de Janeiro na Marina da Glória no dia 26 de Outubro, em São Paulo na Arena Anhembi no dia 28 de Outubro e em Curitiba na Pedreira Paulo Leminski no dia 31 de Outubro, todos os shows foram esgotados. Essa é a primeira turnê brasileira, tocou sucessos dos seus álbuns, principalmente do novo álbum Volta.

 

Discografia

1977 - Björk

1993 - Debut

1995 - Post

1997 - Telegram

1997 -Homogenic

2000 - Selmasongs

2001 - Vespertine

2004 -Medúlla

2005 - Drawing Restraint 9

2007 - Volta

Como dizia Caio Fernando Abreu: "Quem procura não acha... é preciso estar distraido" foi assim meu encontro com Björk, foi em 2001 assistindo "Dançando no Escuro"  de Lars Von Trier, ela havia recebido (merecidamente) o prêmio de Melhor Atriz  no Festival em Cannes. Sua Selma é terrivelmente cátartica.

Ah, me deliciei com ela na festa do Oscar com o vestido de Cisne, que ela usou para a capa do CD Vespertine, quando ela ficou de cócoras durante um tempo e quando levantou-se para espanto de todos, lá estava, um ovo.

Uma das coisas que mais gosto nas estórias sobre ela, foi de saber  que ela é fã de Elis Regina, desde criança, seus pais  lá na Islândia escutavam Elis, na qual ela dedicou a música Isobel.

Björk me tira o fôlego, me leva ao delírio de (re) conhecer-me e sempre me inspira liberdade.

Alexandre Cruz 15/06/2008 

 

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Rimbaud me revela o espelho  (Inspiradores) escrito em sábado 14 junho 2008 19:30

 

              

 

   Chanson de la Plus Haute Tour

Oisive jeunesse
À tout asservie;
Par délicatesse
J' ai perdu ma vie.
Ah! Que le temps vienne
Où les coeurs s' éprennent.

Je me suis dit: laisse,
Et qu' on ne te voi:
Et sans la promesse
De plus hautes joies.
Que rien ne t' arrête
Auguste retraite.

J' ai tant fait patience
Qu' a jamais j' oublie;
Craintes et souffrances
Aux cieux sont parties.
Et la soif malsaine
Obscurcit mes veines.

Ainsi la Prairie
À l' oubli livrée,
Grandie, et fleurie
D' encens et d' ivraies
Au bourdon farouche
De cent sales mouches.

Ah! Mille veuvages
De la si pauvre âme
Qui n' a que l' image
De la Notre-Dame!
Est-ce que l' on prie
La Vierge Marie?

Oisive jeunesse
À tout asservie
Par délicatesse
J'ai perdu ma vie.
Ah! Que le temps vienne
Où les coeurs s' éprennent!

 

Canção da Torre Mais Alta


Ociosa juventude
De tudo pervertida
Por minha virtude
Eu perdi a vida.
Ah! Que venha a hora
Que as almas enamora.

Eu disse a mim: cessa,
Que eu não te veja:
Nenhuma promessa
De rara beleza.
E vá sem martírio
Ao doce exílio.

Foi tão longa a espera
Que eu não olvido.
O terror, fera,
Aos céus dedico.
E uma sede estranha
Corrói-me as entranhas.

Assim os Prados
Vastos, floridos
De mirra e nardo
Vão esquecidos
Na viagem tosca
De cem feias moscas.

Ah! A viuvagem
Sem quem as ame
Só têm a imagem
Da Notre-Dame!
Será a prece pia
À Virgem Maria?

Ociosa juventude
De tudo pervertida
Por minha virtude
Eu perdi a vida.
Ah! Que venha a hora
Que as almas enamora!

Quando eu leio Rimbaud é assim...

uma parte de mim renasce

se regenera

os espinhos somem

e o perfume se espalha

sou nobre

com a minha existência

Rimbaud faz eu querer ser o outro

Acreditar em mim

Rimbaud, força bruta da natureza

com dezessete anos escreveu o maior poema da França

em sua jornada pelo inferno

nos ofereceu o paraiso em versos

e disse no final da vida

que só as escritoras podiam superá-lo!

Eu acredito em ti

Anjo duro

nós somos o outro

E a ti proclamo paz para minha guerra

e que os beijos sejam doces

e viva la vida siempre!

a todos que eu amo

e que me inspiram

Desejo!

Alexandre Cruz 14/06/2008

 

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